18 de julho de 2010

Fernando Pessoa.
Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve.
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
A recordação é uma traição à natureza.
Porque a natureza de ontem não é natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!
in "Poemas Selecionados"