11 de agosto de 2010


Martha Medeiros

Te amei e amei minha fantasia

Amei de novo e amei a nossa estréia

Amei meu próprio amor e amei a tua audácia

Te amei muito e pouco e comovidamente

Amei a história construída, os ritos e os porquês

Te amei no invisível e no inaudível

Amei no crível e no incrível

Amei ser dona e te amei freguês

Te amei e amei a farsa arquitetada

Amei a mim, amei a ti, parti-me ao meio

Te amei no profundo, no raso e com atraso

Não era tua hora, não era minha vez.



[do Livro Cartas Extraviadas e Outros Poemas]


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