A cegueira do amor.
Todos os sentimentos dos homens, reunidos num lugar da terra, tiveram uma idéia: Vamos brincar de esconde-esconde?
A curiosidade sem poder conter-se perguntou: Esconde-esconde?
O que é isso? É um jogo, explicou a loucura, em que eu fecho meus olhos, conto até 100 enquanto vocês se escondem. Quando eu terminar começo a procurá-los, e o primeiro que eu encontrar ocupa o meu lugar no jogo.
O entusiasmo dançou, a alegria deu tantos saltos que acabou convencendo a dúvida e até a apatia, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos participaram.
A verdade preferiu não se esconder.
A soberba opinou que era um jogo muito tolo e a covardia preferiu não se arriscar.
Um, dois, três... Começou a contar a loucura.
A primeira a se esconder foi a pressa...
A fé subiu ao céu e a inveja se escondeu atrás da sombra do triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta.
O esquecimento... Não me recordo onde se escondeu...
Quando a loucura estava lá pelo número 99, o amor ainda não havia achado lugar para se esconder... Até que encontrou um roseiral e decidiu ocultar-se entre as rosas.
- 100! Terminou de contar a loucura. E começou a busca. A primeira a aparecer foi à pressa. Depois escutou a fé... Num descuido encontrou a inveja e, claro, pôde deduzir onde estava o triunfo.
A dúvida foi mais fácil ainda. Encontrou-a sentada numa cerca sem decidir em que lado se esconder. E assim foi encontrando a todos: O talento, nas ervas frescas; A angústia numa cova escura... Apenas o amor não aparecia.
Quando a loucura estava quase desistindo encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos. No mesmo instante ouviu-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o amor nos olhos. A loucura não sabia o que fazer para se desculpar... Chorou, rezou, implorou e até prometeu ser seu guia.
Desde então o amor é cego e a loucura sempre o acompanha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário